A prova prática é a última etapa do exame de condução da categoria B. O objetivo não é apenas confirmar se o candidato consegue mover o automóvel. O examinador avalia se o candidato é capaz de conduzir com segurança, autonomia, respeito pelas regras e atenção constante aos restantes utilizadores da via.
Uma preparação eficaz exige compreender três ideias fundamentais. Primeiro, a prova começa antes de o veículo entrar em circulação: há uma fase de conhecimento e preparação do automóvel. Segundo, as manobras não são exercícios isolados executados apenas para “mostrar técnica”; na categoria B são integradas na circulação normal. Terceiro, a avaliação é global. O examinador observa a forma como o candidato recolhe informação, antecipa riscos, toma decisões, controla o veículo e protege os utilizadores mais vulneráveis.
Este guia explica como a prova está estruturada, o que pode ser pedido, como é efetuada a avaliação, quais são as causas legais de reprovação e o que acontece depois do resultado.
1. Quando pode realizar a prova prática
No percurso normal através de escola de condução, o candidato deve ter concluído com aproveitamento a formação legalmente exigida e ter sido aprovado na prova teórica antes de realizar a prova prática.
A aprovação na prova teórica não representa o fim da aprendizagem. A fase entre a teoria e a prova prática deve ser utilizada para consolidar competências que não podem ser avaliadas adequadamente apenas através de perguntas: observação, coordenação, controlo da velocidade, leitura do ambiente, antecipação, posicionamento e tomada de decisões.
Para a categoria B, a formação prática normal com instrutor compreende, no mínimo, 32 horas e 500 quilómetros. Existem regimes especiais, nomeadamente a aprendizagem acompanhada por tutor, que seguem regras próprias. O candidato deve conhecer o regime em que está inscrito e confirmar com a escola ou com o IMT quais os requisitos procedimentais que lhe são aplicáveis.
2. Duração da prova prática
A prova prática das categorias B1, B e BE tem uma duração mínima de 40 minutos.
Desse período, no máximo 5 minutos podem ser dedicados à preparação e à verificação técnica do veículo.
O tempo utilizado para verificar os documentos de identificação do candidato, do instrutor e do veículo, bem como o tempo dedicado à comunicação do resultado, não integra a duração da prova.
Assim, não deve interpretar “40 minutos” como um percurso rodoviário necessariamente contínuo de 40 minutos. A prova inclui a fase inicial de preparação e, dentro da duração legal, as diferentes situações e manobras necessárias à avaliação.
3. Quem acompanha a prova
Na situação normal, a prova prática é acompanhada pelo examinador, que ocupa o banco da frente.
O instrutor que ministrou o ensino ocupa o lugar imediatamente atrás do examinador. O veículo pode ainda transportar outro candidato a condutor e/ou um elemento de fiscalização do IMT, nos termos previstos na regulamentação.
Se o instrutor estiver legitimamente impedido de acompanhar a prova e essa situação for comunicada ao centro de exames, pode ser substituído pelo diretor da escola ou por outro instrutor designado.
O acompanhante não pode ajudar o candidato durante o exame. Instruções transmitidas ao candidato pelo instrutor ou por outro candidato, através de palavras, sinais ou qualquer outra forma, constituem causa legal de reprovação.
Por isso, durante a prova, o candidato deve concentrar-se exclusivamente nas indicações do examinador, na sinalização, no trânsito e nas condições reais da via.
4. Como começa a prova
A prova prática é única e começa com a demonstração de conhecimentos sobre o veículo e com a preparação para uma condução segura.
Antes de circular, o candidato deve estar preparado para demonstrar conhecimento ou verificar, por indicação aleatória do examinador, três matérias previstas no programa oficial da categoria B.
Entre os elementos que podem ser abordados encontram-se:
- constituintes fundamentais do veículo;
- painel de instrumentos e comandos;
- estado dos pneus;
- sistema de direção;
- sistema de travagem;
- níveis de óleo do motor, líquido de refrigeração e líquido de lavagem;
- luzes e indicadores de mudança de direção;
- refletores/catadióptricos;
- sinais sonoros.
Não é suficiente decorar nomes. O candidato deve perceber para que serve cada elemento, reconhecer sinais básicos de anomalia e saber explicar verificações simples relacionadas com a segurança.
Preparação pessoal e do posto de condução
O candidato deve também cumprir os procedimentos prévios previstos no programa oficial, incluindo:
- ajustar corretamente o banco;
- ajustar o apoio de cabeça, quando existente;
- regular os espelhos retrovisores;
- colocar e ajustar o cinto de segurança;
- confirmar que as portas se encontram fechadas;
- adotar uma posição correta de condução.
No programa oficial surgem ainda conhecimentos como leitura de mapa de estradas, indicação de dispositivos de manutenção de rotina e, em veículos de caixa manual, utilização da alavanca de velocidades, embraiagem e travão de estacionamento.
A sequência correta é importante. Um candidato que começa a conduzir sem garantir posição, visibilidade, cinto e segurança do habitáculo está a demonstrar uma falha de preparação, ainda antes de entrar no trânsito.
5. O veículo de exame
A prova prática pode ser realizada num veículo com caixa manual ou automática.
Se a prova da categoria B for realizada em veículo de caixa automática, a habilitação fica sujeita à restrição correspondente a veículos de transmissão automática. O código comunitário utilizado para essa restrição é o código 78.
Isto é especialmente importante ao escolher o veículo de aprendizagem e de exame. Um candidato que pretende conduzir posteriormente veículos de caixa manual deve confirmar previamente as consequências de realizar a prova num veículo automático.
O veículo da categoria B utilizado no exame deve satisfazer as características regulamentares. Entre outras exigências, deve ser um veículo de quatro rodas da categoria B, capaz de atingir pelo menos 100 km/h, com caixa fechada e lotação de cinco lugares.
Nos veículos de exame da categoria B aplicam-se também requisitos de equipamento destinados à segurança e à supervisão, incluindo comandos duplos nos casos previstos e espelhos destinados ao acompanhamento da prova.
6. O percurso do exame não é escolhido pelo candidato
Cada centro de exames deve dispor de pelo menos 10 percursos previamente aprovados.
Esses percursos devem incluir circulação em vias urbanas e não urbanas.
Se o centro de exames estiver a menos de 20 km de uma autoestrada ou via equiparada, pelo menos 4 dos 10 percursos aprovados têm de incluir circulação nesse tipo de via. Se estiver a mais de 20 km, pelo menos 2 percursos devem incluí-la.
Sempre que possível, os percursos devem incluir túneis.
Na parte urbana, os percursos devem incluir passagem por zonas como:
- áreas residenciais;
- escolas;
- passagens para peões;
- rotundas.
Isto significa que memorizar apenas um “percurso típico” do centro de exames é uma estratégia fraca. Pode ajudar a conhecer a zona, mas o candidato deve ser capaz de conduzir corretamente em diferentes combinações de vias e situações.
O objetivo da formação deve ser desenvolver competências transferíveis para qualquer percurso, e não decorar curvas, semáforos ou pontos específicos de uma rota.
7. As manobras especiais da categoria B
Para a categoria B, as manobras especiais são realizadas durante a circulação em condições normais de trânsito em vias urbanas e não urbanas.
O candidato deve estar preparado para executar as manobras previstas no artigo 55.º do RHLC.
Iniciar a marcha
Antes de iniciar a marcha, o candidato deve observar o ambiente, verificar espelhos e ângulos relevantes, sinalizar quando necessário e garantir que pode integrar-se no trânsito sem criar perigo ou perturbação indevida.
O arranque não é apenas um exercício de embraiagem e acelerador. É uma decisão de segurança.
Inverter o sentido de marcha com recurso a marcha atrás
O candidato deve conseguir inverter o sentido de marcha utilizando marcha atrás, mantendo controlo do veículo e observando continuamente o espaço envolvente.
A baixa velocidade não elimina o risco. Peões, crianças, ciclistas e obstáculos podem entrar em zonas pouco visíveis.
Travagem de serviço
O candidato deve demonstrar capacidade para utilizar o sistema normal de travagem de forma controlada e adequada à situação.
Uma boa travagem não consiste apenas em parar o veículo. É necessário avaliar antecipadamente a distância, ajustar progressivamente a velocidade e evitar criar risco para quem circula atrás.
Arranque em rampa
O programa exige arranque em rampa com inclinação de pelo menos 8%.
O candidato deve impedir que o veículo recue de forma perigosa, coordenando corretamente os comandos. Em veículo manual, isso exige domínio de embraiagem, acelerador e travão. Em veículo automático, a técnica será diferente, mas permanece a exigência de controlo e segurança.
Marcha atrás contornando uma esquina ou lancil
Pode ser solicitado circular em marcha atrás contornando uma esquina ou lancil, à direita ou à esquerda, mantendo uma trajetória correta.
Nesta manobra, a observação vale tanto quanto a precisão. Concentrar-se apenas na posição do veículo e ignorar o ambiente pode transformar uma execução tecnicamente correta numa situação insegura.
Redução de velocidade com caixa manual
Nos veículos de caixa manual, o candidato deve demonstrar capacidade para reduzir a velocidade utilizando corretamente a caixa de velocidades.
A seleção da relação deve ser compatível com a velocidade, com a necessidade de controlo e com a situação da via.
Estacionar e sair do estacionamento
O candidato deve estar preparado para estacionar e sair de um espaço de estacionamento:
- paralelo;
- oblíquo;
- perpendicular;
- em terreno plano;
- em subida;
- em descida.
Não é necessário transformar cada manobra numa sequência rígida memorizada. O essencial é manter controlo, observação, distância adequada, respeito pelos outros e capacidade para corrigir de forma segura quando necessário.
8. Situações de circulação avaliadas
O exame não termina nas manobras. A parte mais importante é a condução integrada no trânsito real.
O programa oficial abrange uma grande diversidade de situações.
Arrancar e parar no trânsito
O examinador observa se o candidato consegue inserir-se no fluxo com segurança, manter controlo em tráfego lento e voltar a arrancar sem hesitações perigosas.
Vias retas e curvas
A trajetória deve ser estável e adequada ao desenho da via. O candidato deve adaptar a velocidade antes da curva, manter posição correta e evitar correções bruscas desnecessárias.
Obstáculos e veículos estacionados
Ao aproximar-se de um obstáculo, o candidato deve observar cedo, avaliar o trânsito em sentido contrário, manter distância lateral segura e decidir se deve avançar, reduzir ou esperar.
Cruzamentos e entroncamentos
Devem ser abordados com velocidade adequada, observação ativa e aplicação correta das regras de prioridade e sinalização.
Rotundas
O candidato deve escolher a via de trânsito adequada, respeitar prioridades, sinalizar corretamente e sair sem criar conflito com outros utilizadores.
Passagens para peões
A avaliação não se limita a “parar se houver alguém em cima da passadeira”. O candidato deve detetar antecipadamente pessoas que possam iniciar a travessia e ajustar a condução, especialmente quando existam crianças, idosos ou pessoas com mobilidade reduzida.
Paragens de transporte público
É necessário prever movimentos de passageiros e do próprio veículo de transporte público, mantendo margem de segurança.
Passagens de nível
Quando o percurso as inclui, devem ser respeitadas todas as regras específicas e sinais existentes, sem entrar numa zona de risco sem possibilidade segura de saída.
Túneis
Quando aplicável, o candidato deve demonstrar uso correto da iluminação, distância de segurança, posicionamento e adaptação da velocidade.
Autoestrada ou via equiparada
Se o percurso incluir este tipo de via, o candidato pode ter de demonstrar entrada através de via de aceleração, circulação adequada e saída através da via de abrandamento.
O erro comum é tratar a entrada como uma simples mudança de faixa. O candidato deve usar a via de aceleração para ajustar a velocidade e procurar uma oportunidade segura de integração.
Ultrapassar e ser ultrapassado
O examinador pode observar tanto a decisão de ultrapassar como o comportamento quando outro veículo ultrapassa.
Uma ultrapassagem só deve ser realizada quando for necessária, legal e segura. Não existe qualquer benefício em “mostrar coragem” durante o exame.
Vias com inclinação acentuada
O percurso pode incluir subidas e descidas de inclinação relevante. O candidato deve controlar a velocidade, selecionar a relação adequada e evitar depender exclusivamente do travão de serviço durante descidas prolongadas.
9. O que o examinador realmente avalia
O RHLC estabelece princípios muito claros para a avaliação.
O candidato deve demonstrar capacidade para:
- reconhecer perigos originados pelo trânsito;
- avaliar a gravidade desses perigos;
- dominar o veículo sem criar situações de risco;
- reagir adequadamente quando surge uma situação perigosa;
- cumprir as regras de trânsito;
- contribuir para a fluidez sem sacrificar segurança;
- reconhecer avarias técnicas relevantes para a segurança;
- ter em conta fatores humanos que podem comprometer a condução;
- proteger os restantes utilizadores, sobretudo os mais vulneráveis.
A prova não é, portanto, uma coleção de pequenas tarefas independentes.
O examinador forma uma apreciação global do modo de conduzir.
Observação
O candidato deve demonstrar que vê o que é relevante antes de agir.
Isso inclui:
- espelhos;
- visão direta;
- ângulos mortos;
- sinalização;
- peões;
- ciclistas;
- veículos que podem alterar a trajetória;
- espaço disponível;
- condições do pavimento.
Mexer a cabeça mecanicamente para “mostrar que olhou” não substitui observação real. O objetivo é recolher informação útil para decidir.
Antecipação
Um condutor seguro não reage apenas ao que já aconteceu.
Exemplos de antecipação:
- reduzir antes de uma passagem para peões com visibilidade limitada;
- prever que uma criança junto à estrada pode deslocar-se inesperadamente;
- aumentar distância perante chuva;
- esperar que um veículo estacionado possa abrir uma porta;
- prever que um autocarro pode sair de uma paragem.
Escolha da velocidade
Respeitar o limite máximo é obrigatório, mas não é suficiente.
A velocidade escolhida deve ser adequada à visibilidade, ao tráfego, à aderência, à presença de utilizadores vulneráveis e ao espaço disponível.
Circular abaixo do limite legal pode continuar a ser excessivo para as condições reais.
Fluidez
Conduzir com segurança não significa conduzir de forma excessivamente lenta ou indecisa.
Hesitações injustificadas podem perturbar o trânsito e criar situações imprevisíveis. O candidato deve ser prudente, mas também capaz de tomar decisões claras quando existe uma oportunidade segura.
Distâncias de segurança
A distância frontal e lateral permite compensar erros próprios e alheios.
O examinador observa se o candidato mantém margem suficiente para travar, reagir e proteger ciclistas, peões e veículos estacionados.
Comunicação
Indicadores de mudança de direção, luzes e posicionamento ajudam os outros a perceber as intenções do condutor.
Sinalizar não concede prioridade. A manobra continua a depender de condições de segurança.
Condução defensiva e respeito
O exame valoriza uma condução que evita conflitos em vez de os criar.
O candidato deve cooperar com o trânsito, respeitar utilizadores vulneráveis e evitar atitudes agressivas, competitivas ou punitivas.
10. Causas legais de reprovação
É essencial distinguir um erro menor de uma causa de reprovação.
A lei prevê situações que determinam reprovação na prova prática.
Colocar a segurança em causa
Conduzir de forma a pôr em causa a segurança do veículo, dos passageiros ou de outros utilizadores é causa de reprovação.
Exemplos podem incluir entrar numa situação sem margem de segurança, obrigar outro utilizador a uma reação brusca ou manter uma conduta manifestamente perigosa.
Praticar uma contraordenação grave ou muito grave
Uma infração classificada legalmente como grave ou muito grave determina reprovação.
Por isso, o candidato deve conhecer não apenas técnicas de condução, mas também as regras cuja violação apresenta maior gravidade.
Embater de forma descontrolada ou violenta num obstáculo
Um toque mínimo e controlado não deve ser automaticamente confundido com a formulação legal. O RHLC refere embate descontrolado ou com violência. Contudo, qualquer contacto deve ser evitado e pode revelar falha de controlo ou observação.
Recusar ou desistir de manobras exigidas
A recusa ou desistência na realização de uma manobra prevista pode determinar reprovação.
Se o candidato não compreendeu a instrução, deve pedir esclarecimento antes de iniciar, em vez de improvisar.
Acumular 10 faltas
A prova termina com reprovação quando o candidato acumula um total de 10 faltas.
Para este efeito, “falta” inclui uma contraordenação leve ou incorreção que não corresponda a infração grave ou muito grave, não coloque imediatamente a segurança em causa e não exija intervenção do examinador.
Portanto, vários erros aparentemente pequenos podem produzir reprovação por acumulação.
Acumular três faltas no mesmo tipo de manobra ou procedimento
A repetição do mesmo problema também é relevante.
A acumulação de três faltas na execução do mesmo tipo de manobra ou noutro procedimento aplicável à categoria constitui causa de reprovação.
Isto significa que corrigir um erro depois de receber nova oportunidade é parte importante da prova.
Deixar o motor parar mais de três vezes por imperícia
Em veículo de caixa manual, deixar o motor parar mais de três vezes por falta de domínio técnico constitui causa de reprovação.
Uma ocorrência isolada não deve ser tratada como catástrofe. O candidato deve recuperar com calma e segurança, evitando transformar um erro pequeno numa sequência de erros.
Intervenção do examinador nos comandos
Se o examinador tiver necessidade de intervir nos comandos do veículo durante a prova, isso constitui causa de reprovação.
A intervenção revela que foi necessário evitar ou controlar uma situação que o candidato não estava a gerir adequadamente.
Ajuda do instrutor ou de outro candidato
Se o instrutor ou outro candidato transmitir instruções através de palavras, gestos, sinais ou outra forma, existe causa de reprovação.
A prova deve demonstrar a capacidade do próprio candidato.
11. Como lidar com um erro durante o exame
Um dos maiores problemas em prova é a reação emocional ao primeiro erro.
Um candidato pode deixar o motor parar uma vez, escolher uma relação menos adequada ou precisar de corrigir uma manobra e concluir imediatamente: “já chumbei”. Essa ideia pode causar perda de concentração e gerar erros adicionais.
A resposta correta é simples:
- reconhecer a situação;
- garantir segurança;
- corrigir o que for possível;
- voltar a concentrar-se na condução.
Não tente adivinhar a avaliação do examinador.
Apenas o examinador conhece o conjunto da prova e o registo das faltas.
12. Como interpretar as instruções do examinador
O examinador indica o percurso e as manobras a realizar, mas não deve substituir a tomada de decisão do candidato.
Se receber uma indicação como “na próxima oportunidade, vire à direita”, continua a ser responsabilidade do candidato:
- verificar se a manobra é permitida;
- observar os sinais;
- selecionar a posição correta;
- sinalizar;
- ceder passagem quando necessário;
- executar apenas quando houver segurança.
Uma instrução de percurso não autoriza o candidato a infringir uma regra.
Se a manobra não puder ser realizada legalmente ou em segurança naquele ponto, o candidato deve continuar a conduzir de forma segura e seguir as orientações subsequentes.
13. Manual ou automático: decisão antes do exame
A prova pode ser realizada em veículo manual ou automático.
O candidato deve decidir conscientemente qual opção corresponde às suas necessidades futuras.
Num veículo manual, serão avaliadas competências relacionadas com embraiagem, seleção de velocidades e coordenação dos comandos.
Num veículo automático, essas tarefas são simplificadas, mas continuam a ser avaliados observação, tomada de decisões, controlo, posicionamento, velocidade, regras e segurança.
A facilidade técnica de um automático não reduz o nível de responsabilidade rodoviária exigido.
Ao realizar a prova B em automático, a carta fica limitada aos veículos com caixa automática, através da restrição aplicável.
14. No dia da prova
A preparação deve começar antes de chegar ao centro de exames.
Durma adequadamente
Fadiga reduz atenção, tempo de reação e capacidade para tomar decisões.
Não altere hábitos de forma radical
O dia do exame não é o momento para experimentar estimulantes em excesso, medicamentos não habituais ou estratégias que possam causar ansiedade ou desconforto.
Chegue com antecedência
Atraso desnecessário aumenta pressão e pode interferir no cumprimento dos procedimentos administrativos.
Confirme a identificação necessária
A escola e o centro de exames devem indicar quais os documentos ou meios de identificação aceites. Confirme-os antes do dia da prova.
Ajuste o veículo mesmo que outra pessoa já o tenha conduzido
Nunca presuma que banco, espelhos e apoio de cabeça estão adequados à sua posição.
Faça a prova como conduziria sozinho
Não tente impressionar o examinador com manobras rápidas, acelerações fortes ou decisões desnecessárias.
A condução segura é previsível, estável e controlada.
15. Erros de preparação que devem ser evitados
Decorar apenas o percurso
Os centros dispõem de múltiplos percursos. Conhecer a zona é útil; depender de uma rota memorizada não é.
Treinar apenas estacionamento
Estacionar é apenas uma parte. A avaliação inclui leitura de tráfego, prioridades, velocidade, observação, vias múltiplas, peões, rotundas e várias outras situações.
Olhar apenas para o carro da frente
Uma condução segura exige visão ampla e antecipação.
Usar os espelhos sem compreender porquê
O examinador não procura uma coreografia. Procura decisões baseadas em informação.
Conduzir demasiado devagar por medo
Velocidade excessivamente baixa sem razão pode demonstrar falta de adaptação ao trânsito e provocar situações menos previsíveis.
Tentar corrigir uma instrução perdida com uma manobra perigosa
Se passou uma saída ou não conseguiu mudar de via em segurança, continue. Uma rota pode ser corrigida; uma decisão perigosa pode terminar a prova.
16. Resultado da prova
Durante a prova, o examinador preenche o relatório de avaliação.
No final, o resultado é expresso como:
Aprovado
ou
Reprovado.
O examinador deve comunicar o resultado ao candidato e fundamentá-lo de forma sucinta e clara, na presença do instrutor.
Em caso de reprovação, um duplicado do relatório é enviado pelo centro de exames à escola de condução. Esse relatório deve ser utilizado para orientar a nova aprendizagem e corrigir os problemas identificados.
17. Se reprovar na prova prática
Reprovar não significa repetir simplesmente o mesmo percurso na próxima marcação.
No regime de formação aplicável, após reprovação na prova prática o candidato deve cumprir formação prática complementar correspondente a 25% das horas e dos quilómetros mínimos previstos para a categoria.
Para a categoria B, considerando o mínimo normal de 32 horas e 500 quilómetros, 25% corresponde a:
8 horas de condução
e
125 quilómetros.
Esta formação deve ser usada para corrigir concretamente as causas identificadas no relatório de exame, e não apenas para acumular tempo ao volante.
O candidato deve analisar com o instrutor:
- quais os erros registados;
- em que contexto surgiram;
- se foram erros técnicos, de observação ou de decisão;
- se existe um padrão repetido;
- como prevenir a repetição.
Regimes especiais de candidatura podem ter particularidades procedimentais próprias, pelo que o candidato deve confirmar com a entidade competente o procedimento aplicável à sua situação concreta.
18. Se for aprovado
Após aprovação na prova prática, o IMT emite uma autorização temporária de condução que substitui a carta de condução até à emissão do título definitivo, nos termos do RHLC.
O candidato deve respeitar as condições e a validade do documento emitido e confirmar que os dados necessários para a produção da carta estão atualizados.
A aprovação no exame não significa que a aprendizagem terminou.
Os primeiros meses de condução autónoma exigem especial prudência, porque o novo condutor passa a tomar decisões sem a presença de um instrutor.
As regras relativas ao período probatório são tratadas numa lição própria deste guia.
19. Checklist final antes de se apresentar à prova
Confirme que consegue realizar sem ajuda:
- ajuste do banco, apoio de cabeça e espelhos;
- utilização correta do cinto;
- identificação dos principais comandos;
- verificações básicas de pneus, luzes e fluidos;
- arranque seguro;
- circulação a baixa velocidade;
- mudança de velocidades, se conduzir manual;
- travagem progressiva e precisa;
- arranque em rampa;
- marcha atrás;
- inversão do sentido;
- estacionamento paralelo;
- estacionamento perpendicular e oblíquo;
- saída de estacionamento;
- abordagem de cruzamentos e entroncamentos;
- aplicação de prioridades;
- circulação em rotundas;
- mudança de via;
- observação do ângulo morto;
- circulação junto de peões e ciclistas;
- condução em vias urbanas e não urbanas;
- entrada e saída de vias rápidas quando aplicável;
- adaptação da velocidade às condições;
- decisão segura sob pressão.
Se alguma destas competências depende constantemente de instruções do professor, ainda necessita de consolidação.
20. O princípio mais importante
A prova prática não procura uma condução teatralmente perfeita.
Procura evidência de que o candidato consegue conduzir sozinho sem criar um risco inaceitável.
Por isso, a prioridade correta é sempre:
observar → compreender → decidir → sinalizar quando necessário → executar com segurança.
Uma manobra pode ser tecnicamente elegante e ainda assim insegura. Uma decisão prudente, previsível e bem observada demonstra maturidade de condução.
Resumo essencial
- A prova prática B tem duração mínima de 40 minutos.
- No máximo 5 minutos são dedicados à preparação e verificação técnica do veículo.
- O candidato começa por demonstrar conhecimentos e preparar corretamente o posto de condução.
- A prova B inclui manobras especiais integradas em circulação urbana e não urbana.
- Os centros de exame utilizam múltiplos percursos previamente aprovados.
- O percurso pode incluir zonas residenciais, escolas, passagens para peões, rotundas, autoestradas/vias equiparadas e, quando possível, túneis.
- São avaliados controlo, observação, antecipação, respeito pelas regras, segurança e consideração pelos utilizadores vulneráveis.
- A acumulação de 10 faltas reprova.
- Três faltas no mesmo tipo de manobra ou procedimento reprova.
- Mais de três paragens do motor por imperícia reprova.
- A necessidade de intervenção do examinador nos comandos reprova.
- Uma contraordenação grave ou muito grave reprova.
- A prova em veículo automático implica a restrição correspondente para veículos automáticos.
- Após reprovação prática, no regime normal da categoria B, a formação adicional de 25% corresponde a 8 horas e 125 km.
- Após aprovação, é emitida uma autorização temporária de condução até à emissão da carta.
A melhor preparação não consiste em aprender truques para o examinador. Consiste em atingir um nível de condução em que observar, antecipar e escolher a opção mais segura já seja o comportamento natural do candidato.